Faculdade Senac promove debate sobre identidade, ancestralidade e saberes indígenas

    Anterior
    Faculdade Senac promove debate sobre identidade, ancestralidade e saberes indígenas

    Faculdade Senac promove debate sobre identidade, ancestralidade e saberes indígenas

    Em alusão ao Dia dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de abril, a Faculdade Senac realizou ontem (29/04) uma roda de conversa com o tema Tradição e Cultura dos Povos Indígenas. O evento reuniu alunos no auditório da instituição para uma tarde de escuta, troca e reflexão sobre diversidade cultural e identidade.

    Mediado pelo professor Mateus Domingues, o bate-papo contou com a participação de Manoelly Vera Cruz, produtora cultural e gastróloga, e Erick Carrasco, ex-aluno do Mediotec Recife e da Faculdade Senac, e atual docente do Senac PE. A conversa foi conduzida a partir das vivências dos convidados e abordou temas como representatividade, tecnologia, gastronomia e a forma como a história dos povos originários é construída e percebida.

    De origem indígena, Erick compartilhou sua trajetória, destacando sua relação com o Senac e sua atuação na educação. “Estou aqui desde o Mediotec, me formei aqui também e hoje sou docente. Desde os 16 anos trabalho com palestras e aulas sobre tecnologia e povos originários”, contou. Ele também reforçou o propósito do seu trabalho: “Sempre trago reflexões sobre a nossa voz, sobre ocupar espaços e questionar os estigmas que ainda existem”.

    Ao falar sobre os desafios atuais, Erick reconheceu avanços, mas apontou permanências importantes. “Hoje estamos na política, na ciência, na sala de aula, em vários lugares. Mas ainda existe uma visão muito equivocada. As pessoas esperam que a gente viva como em 1500, e isso não faz sentido. Nós evoluímos”, afirmou. Ele também provocou o público ao ampliar o conceito de tecnologia: “Quando a gente fala de tecnologia, não é só o digital. O fogo, as ferramentas, tudo isso é tecnologia. Os povos originários estão na base disso”.

    A discussão seguiu com Manoelly Vera Cruz, que trouxe a gastronomia como campo de resistência e valorização cultural. “Na formação, a gente aprende muito sobre culinária europeia, como a francesa, e isso não é questionado. Mas existem outras matrizes que também construíram a nossa cozinha”, destacou. Para ela, pensar a alimentação é também reconhecer histórias: “Não existe cozinha pura. Toda culinária é feita de encontros”.

    Manoelly falou ainda sobre sua atuação profissional e o processo de resgate de saberes. “Quando trago elementos da minha ancestralidade para os cardápios, muitas pessoas estranham. Existe até xenofobia alimentar. Mas esses saberes sempre estiveram presentes, só não foram valorizados da mesma forma”, explicou.

    A gastróloga compartilhou ainda experiências em pesquisas de campo com comunidades indígenas, ressaltando a profundidade desses conhecimentos. “O alimento não é só nutrição. Ele também é cura, é equilíbrio. Existe todo um saber sobre plantas, sobre o tempo de colheita, sobre preparo. É algo muito complexo e muito rico”, disse.

    O encontro também abordou temas como políticas afirmativas, autoidentificação e a

    Ao final, o evento reforçou a importância de criar espaços de diálogo dentro do ambiente educacional. Mais do que compartilhar conhecimento, o bate-papo ampliou perspectivas e convidou os participantes a repensarem conceitos, reconhecendo a presença, a contribuição e a continuidade dos povos originários na sociedade contemporânea.

     

    Anterior

    Accessibility Toolbar