Seminário das bebidas abordou mercado, história, tendências e harmonizações gastronômicas pernambucanas

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    Seminário das bebidas abordou mercado, história, tendências e harmonizações gastronômicas pernambucanas

    Segundo dados do Euromonitor, a cerveja é a bebida alcoólica com maior consumo no Brasil. São cerca de 15 bilhões de litros em consumo, seguida da cachaça, que é a mais consumida na categoria de destilados, com uma participação de mercado de 81%. Diante deste cenário e dada a importância deste segmento, o Sebrae e o Senac Pernambuco realizaram ontem (27/11) o III Seminário das Bebidas Pernambucanas. A ocasião contou com palestras sobre diversas mercado e história de vários tipos de bebidas e nomes de peso do mercado pernambucano de bebidas. Estiveram presentes o coordenador Geral de Projetos da Fundação Gilberto Freyre, Gilberto Freyre Neto; o sommelier de cerveja da Babylon Edson Freitas; o sommelier de vinhos da Casa de Bebidas Ângelo Miranda; o consultor em coquetelaria e blogueiro Júnior WM; e a barista da Kaffe Torrefação Lidiane Santos.

    O especialista em Gestão Cultural pela escola francesa Agecif Gilberto Freyre Neto abriu o evento com palestra sobre o mercado da cachaça no Brasil. Sua explanação passou pela história das rotas marítimas e os caminhos comerciais para o Oriente, bem como a invenção do alambique, criado pelos árabes, o ciclo econômico do Brasil Colônia e o da cachaça. “A cachaça é um produto tipicamente brasileiro, e tem uma identidade muito forte com a cultura do Brasil. Lá fora, é a 3ª bebida mais consumida”. Freyre Neto explicou ainda sobre os tipos de cachaça, e explicou que esta pode ainda ter muitos usos na cozinha e ser utilizada como ingrediente para cozinhar, marinar e flambar os alimentos.
    Ao citar a “cachaçogastronomia” ele explica que é “a arte de harmonizar cachaça e comida, fazendo com que estes elementos se fundam, se cometem, se equilibrem e realcem para proporcionar mais prazer à mesa”. E, assim como acontece com o vinho, a cachaça pode ser harmonizada com entrada, prato principal e sobremesa. Ele exemplifica que uma harmonização perfeita é a da caipirinha com feijoada.

    Em seguida, o sommelier de cervejas e gerente Comercial da Cervejaria Babylon Edson Freitas comenta sobre a valorização do mercado de cervejas artesanais, que vem crescendo em Pernambuco. O conceito mudou: “cerveja não é mais para se ‘encher a cara’, mas sim para ser apreciada”. Edson expôs que, por uma questão de estratégia de mercado, a Babylon passou um ano e meio produzindo só cerveja tipo lager, o que transformou a cervejaria em líder no Nordeste. “Somos a primeira empresa do Nordeste no envase em lata, que é, na verdade, a melhor forma de armazenamento. É melhor para o mercado, para o meio ambiente, é mais fácil de armazenar e conservar”.

    Junto com a Kaffe Torrefação, a Babylon criou a cerveja Kaffe Amber Lager, que tem o mesmo estilo de cerveja da escola Americana. “ Ela tem explosão de café, fácil de beber e possui 4,4% de álcool. Com uma semana de lançamento, esgotou no mercado. A aceitação foi ótima. Outro produto que será lançado em breve é a Sessions IPA, bastante leve e também fácil de beber em larga escala”. Edson Freitas explica que cerveja artesanal não é moda, é tendência e, hoje, Pernambuco tem muitas cervejas premiadas, de qualidade. “Essa valorização gera mais empregos e aquece a economia regional. Temos aqui cervejas melhores do que as importadas que chegam por aqui”. E recomenda: “Beba menos, beba melhor, beba local”.

    Ângelo Miranda, sommelier da Casa de Bebidas diz que a premissa da cerveja é a mesma para o vinho. Afinal, o Vale do São Francisco tem um diferencial em relação a outros vinhedos, pois tem três safras de vinhos. “O consumo do vinho pernambucano está aumentando devido aos treinamentos das empresas da área para os garçons. Isso faz com que estes profissionais tenham segurança no que estão vendendo. Um restaurante local que se preze tem em sua carta o vinho pernambucano como primeira opção. É preciso valorizar o nosso produto. Temos espumantes muito bons, muitos rótulos premiados. Inclusive, vale salientar que os valores caíram um pouco. É possível comprar um vinho de qualidade por até R$ 30,00. O consumo local está aumentando, o que mostra que o preconceito está sendo quebrado”, analisa Ângelo.

    Pernambuco é rico em produção de frutas de maneira geral, principalmente, uva e manga. Essa riqueza, segundo o consultor em coquetelaria e blogueiro Júnior WM do Mundo Copo, é o principal ingrediente para que sejam desenvolvidos coquetéis e drinks criativos e diferenciados. “Ainda temos muito o que evoluir na coquetelaria no Brasil. Há uma infinidade de possibilidades de caipirinhas que podem ser criadas a partir de ingredientes locais. Porém, faço questão de ressaltar que a maior barreira ainda é o idioma. A maioria dos bartenders não falam inglês, o que os impede de viajar, pesquisar em outros países e inovar, ir atrás das tendências. É preciso primeiro ter repertório, aprimoramento e acesso às técnicas modernas, ou mesmo antigas. Por exemplo, eu fiz um coquetel à base de caju, cuja técnica busquei no Século XVIII”.

    Júnior aponta que a riqueza gastronômica pernambucana permite que se faça harmonizações inusitadas com drinks, mas é preciso estudar e ter um trabalho diferenciado para não ficar no ‘achismo’. “Ainda há muito preconceito com relação às frutas locais, que podem e muito serem exploradas. A mixologia nada mais é do que pesquisa aliada à melhor técnica para achar a combinação e harmonização perfeita”, expõe.

    Técnica, aliás, é a base de tudo, incluindo a colheita, seleção, torra e elaboração de um bom café, segundo a barista da Kaffe Torrefação, Lidiane Santos. Ela destaca a importância do serviço do café em restaurante, que deve pensar em oferecer um produto de qualidade. “Já pensou o empreendimento oferecer uma boa entrada, uma boa bebida, prato principal e sobremesa, e servir um café ruim ou mal feito, sem a técnica ou máquina adequada? O que vai ficar na memória gustativa do cliente é um café amargo, ruim e mal feito”, expõe Lidiane.

    Lidiane apontou os diversos tipos de máquina e cafés que podem ser servidos e levantou um pouco da história do café, tipos de colheita e perfil de consumo, assim como os selos de qualidade e pureza, a exemplo da Associação Brasileira de Indústrias de Café (Abic). A proprietária da Kaffe comenta que é possível harmonizar o café com todo tipo de alimento, inclusive queijos. “Experimentem comprar um café de qualidade e tomar sem açúcar para perceber os sabores e ousar na experimentação, degustação e combinação de diversas comidas”, sugere.

    Ao final, os participantes do evento foram convidados para a rodada de negócios, onde puderam conhecer os produtos dos expositores e degustar cervejas, vinhos, cafés, cachaças, caipirinhas, queijos e comidas regionais preparadas pela Unidade de Hotelaria e Turismo (UHT) do Senac.

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