Uma análise fina das problemáticas da educação brasileira

Em palestra técnica, Cláudia Costin traçou panorama educacional do nosso país

Os desafios e as virtudes da educação brasileira foram tema da palestra “Educação no Brasil: o que Podemos Aprender com o Mundo”, que aconteceu na manhã desta quinta-feira (19/09), no auditório principal do Congresso de Tecnologia na Educação. Com muitos dados e sutil senso de humor, a professora Cláudia Costin traçou um panorama geral da educação em nosso país, desmistificou conceitos e indicou possíveis caminhos para seguir.

Segundo Costin, o acesso à educação não é o maior problema no Brasil. No Ensino Fundamental, por exemplo, o atendimento atinge 99,3% dos alunos que poderiam estar matriculados e a taxa líquida de matrícula é de 98%. Contudo, com o passar das séries, o índice de evasão vai aumentando, até chegar em 68,7% no Ensino Médio. “Ainda temos o desafio de garantir que eles concluam no mínimo a sua escolaridade básica, pois o mundo que a gente vive agora demanda para além disso”, pontua.

Um dos outros desafios abordados diz respeito ao currículo inchado do Ensino Médio brasileiro. “Como é que se espera que os alunos de Ensino Médio desenvolvam os conhecimentos adequados, se temos que espremer 13 matérias em quatro horas de aula?”, indaga. Ainda dentro dessa perspectiva, Costin também foi de encontro à tradição conteudista, afirmando que as escolas abordam assuntos que não serão usados no futuro dos estudantes.

Durante a palestra, ela também abordou os exemplos positivos que vêm de fora. Entre os países e regiões citados, estão o Oriente Médio, a Inglaterra, o Japão e os Estados Unidos. Porém, teceu elogio ao modelo de educação pernambucana. “Pernambuco é um estado com nível socioeconômico aquém de parte do resto do Brasil, mas, ainda assim, está implantando escolas em tempo integral e obtendo resultados melhores. Ao invés de procurar em outros países, deveriam olhar mais para cá”, afirmou, sendo ovacionada pelos presentes.

Por fim, Costin falou de soluções para a educação. Em sua opinião, a formação para o trabalho é um dos caminhos. “Se você quer formar um empreendedor, tem que ensinar o aluno a ter autonomia. A segunda coisa que pontuo é que o aluno deve aprender a aprender, ou seja se reinventar”, comenta. Porém, a principal mudança deve ser na formação dos professores. “A formação de um professor não prepara para ser professor. Não se ensina, na universidade, a alfabetizar, por exemplo. É necessário valorizar e tratar a profissão e a formação do professor voltando-se para a educação”, finaliza.


Texto: Lindalva Coelho

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