Helen Lima, Camila Coelho e Ywri Rafael abriram a programação do espaço no segundo dia de evento, no Recife Expo Center
No Brasil, milhões de pessoas convivem diariamente com restrições alimentares médicas ou comportamentais que impactam diretamente na sua qualidade de vida. Cerca de 51% da população — mais de 100 milhões de brasileiros — apresenta tendência ou algum grau de intolerância à lactose, segundo o Laboratório Genera. Já a doença celíaca atinge aproximadamente 1% da população mundial, mas estima-se que cerca de 80% dos brasileiros com a condição ainda não tenham sido diagnosticados, de acordo com a Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (Fenacelbra). Diante desse cenário, a confeitaria inclusiva foi o tema do painel de abertura da Arena do Conhecimento, realizado na tarde desta sexta-feira (14), durante o segundo dia da 2ª Feira de Confeitaria Senac.
Mediada pela docente de Gastronomia da Faculdade Senac, Rúbia Sales, a mesa-redonda reuniu a nutricionista e docente da Faculdade Senac PE, Helen Lima; a chef e empresária Camila Coelho, fundadora da padaria artesanal Lêche Lìbre; e o chef e empresário Ywri Rafael, fundador da Manuê Confeitaria Inclusiva. Juntos, eles debateram sobre os desafios enfrentados por pessoas com restrições alimentares, a importância e as dificuldades da produção segura de alimentos, além da necessidade de ampliação do conhecimento sobre o tema entre profissionais e consumidores.
Durante a conversa, Helen Lima esclareceu a diferença entre intolerância alimentar e alergia, conceitos que podem gerar dúvidas entre a população. Segundo ela, a intolerância é uma sensibilidade que está relacionada, na maioria das vezes, à deficiência de enzimas responsáveis pela digestão de determinados alimentos, enquanto a alergia envolve uma resposta do sistema imunológico e pode provocar reações graves.
Além dos aspectos técnicos, os participantes destacaram a dimensão social da confeitaria inclusiva. Para Camila Coelho, produzir alimentos para pessoas com restrições vai muito além do empreendedorismo. “Existe uma responsabilidade social muito grande relacionada a isso. A confeitaria inclusiva também é um trabalho que envolve muita conscientização”, afirmou. “Meu propósito de vida é disseminar essa alimentação inclusiva para que pessoas da periferia aqui de Pernambuco e do Nordeste consigam acessibilidade”, completou.
Ao longo da conversa, Ywri Rafael também incentivou estudantes e profissionais da confeitaria a investirem em capacitação e aprofundarem os conhecimentos sobre restrições alimentares e bioquímica dos alimentos. Segundo ele, é possível tornar praticamente qualquer produção mais inclusiva quando há disposição para aprender e inovar. “Procurem se instruir com pessoas capacitadas, busquem informações com quem trabalha com produtos inclusivos e nunca deixem de se aperfeiçoar. Tudo o que vocês fazem pode ser inclusivo, basta querer. É totalmente possível trabalhar com bases vegetais”, destacou.
Outro ponto levantado foi a dificuldade de manter a regularidade na produção devido ao abastecimento irregular de ingredientes específicos. Ywri Rafael ressaltou que “a questão do abastecimento para a gente que trabalha com produtos inclusivos é um dos maiores desafios. É muito difícil achar com regularidade e viabilidade financeira no supermercado. Mas não podemos deixar a qualidade do nosso produto cair só porque um ingrediente está em falta. Nosso papel é alimentar as pessoas”, destacou.
O painel evidenciou que a confeitaria inclusiva vai além da adaptação de receitas, trata-se de promover acesso, segurança alimentar e qualidade de vida para milhões de pessoas que convivem com restrições alimentares, reforçando o papel da gastronomia como ferramenta de inclusão e transformação social.





