Projeto Bongarbit leva discussão sobre cultura, território e inovação ao 22° CIIE

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    Projeto Bongarbit leva discussão sobre cultura, território e inovação ao 22° CIIE

    Thúlio Xambá e João Tragtenberg apresentaram, no segundo dia do evento (07/10), uma proposta que aproxima saberes ancestrais, práticas manuais e novas tecnologias

    Fazer, experimentar, transformar. Para além de ser uma maneira de produzir objetos, a cultura maker parte da ideia de que qualquer pessoa pode criar, consertar, modificar e fabricar com as próprias mãos, colocando o conhecimento em prática e transformando a realidade ao seu redor. Foi a partir dessa perspectiva que o arte-educador e coordenador do Bongarbit, Thúlio Xambá, e o pesquisador e cofundador do projeto, João Tragtenberg, levaram ao segundo dia (7) do 22º Congresso Internacional de Inovação na Educação uma reflexão sobre como o “faça você mesmo” pode também significar olhar para os saberes que já existem em uma comunidade para, assim, criar novas possibilidades de futuro.

    Durante a palestra, os especialistas defenderam uma aproximação entre tecnologias ancestrais e ferramentas contemporâneas, mostrando como o trabalho manual e o digital podem se complementar na construção de soluções conectadas à realidade de cada território. Para eles, o território também pode funcionar como um laboratório pedagógico, no qual a própria comunidade identifica seus desafios, compartilha conhecimentos e desenvolve suas tecnologias a partir dos recursos, da cultura e das experiências que possui.

    “A inovação também está no terreiro”, afirmou João Tragtenberg, ao destacar que a criação tecnológica não precisa necessariamente partir de modelos externos ou de ferramentas prontas. Segundo ele, olhar para o passado pode ser justamente um caminho para construir novas tecnologias. “A ideia de que avançamos no futuro, olhando para o passado é um caminho mais sábio para a criação de novas tecnologias. Não é rompendo com a tradição, não é pela disrupção desenfreada que só quer incentivar mais consumo e o esgotamento dos recursos da terra. E é nesse aprendizado que criamos uma tecnologia conectada e quebramos paradigmas”, completou.

    O território conectado 

    A proposta apresentada pelos integrantes do Bongarbit parte de uma compreensão ampliada sobre inovação. Em vez de enxergar comunidades tradicionais e periféricas apenas como espaços que recebem tecnologias desenvolvidas em outros contextos, o projeto as coloca como territórios capazes de produzir conhecimento, experimentar soluções e criar novas tecnologias a partir de suas próprias referências culturais e dos saberes ancestrais.

    Criado em 2023, o Bongarbit é um Laboratório de Tecnologias Orgânicas e Digitais do Xambá, primeiro Quilombo Urbano reconhecido no Nordeste, localizado em Olinda. “Na comunidade a gente faz um trabalho tanto orgânico quanto digital, criando e mostrando para as pessoas que é possível criar partindo do que já temos, das nossas raízes. Ressignificamos sem corromper as nossas matrizes”, explicou Thúlio.

    Além do laboratório, o Bongarbit funciona como uma escola, oferecendo formação gratuita em luteria de percussão tradicional e na construção de novos instrumentos musicais. A iniciativa combina práticas ancestrais, fabricação digital, experimentação sonora e economia criativa, criando oportunidades de desenvolvimento cultural, profissional e comunitário. Com incentivo da Lei Rouanet e em parceria com o Fab Lab Recife, a escola reúne atualmente 32 participantes, entre crianças, jovens e adultos. Neste ano, já foram realizados 54 encontros de luteria, seis edições do evento Café com Bongarbit e oito palestras.

    Ao apresentar a experiência do projeto no Congresso, Thúlio e João reforçaram que pensar o futuro da tecnologia também passa por reconhecer conhecimentos construídos muito antes das ferramentas digitais. Inovação e tradição devem andar lado a lado. Promovido pelo Sistema Fecomércio/Sesc/Senac-PE, com o apoio do Sebrae PE, o 22° Congresso Internacional de Inovação na Educação acontece até o dia 8 de outubro, no RioMar Eventos e transmissão online. O evento é reconhecido por promover reflexões sobre as transformações da educação e conectar especialistas renomados, profissionais, pesquisadores e estudantes do setor.

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